Atriz ítalo-brasileira (1915 - 1993); começou a carreira na década de 30, viajando pouco depois para a Itália; retornou ao Brasil em 1950 e montou sua própria companhia; sua última atuação foi em 1977, com a peça "A dama do camarote". Em 25/01, morre de enfarte, em São Paulo.
Maria Olga Narduzzo Navarro (Veneza, Itália 1915 - São Paulo SP 1993). Atriz. Intérprete de primeiro escalão comparada a Dulcina de Morais, que se inicia junto às companhias filodramáticas de origem italiana, em São Paulo, integrando posteriormente a renovação moderna no teatro aberta por Os Comediantes.
Após cursar o Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, Olga estréia, em 1924, com A Abelha de Oiro, no Teatro Glória, num grupo filodramático - como eram conhecidos os conjuntos italianos de amadores. A bem-sucedida montagem apresenta-se também no Rio de Janeiro e, em 1926, é contratada pela companhia de Jaime Costa. Sem as aptidões do canto e da dança, participa das revistas declamando poemas de Guilherme de Almeida ou Olegário Mariano.
Parte para a Itália, em 1939, resolvendo lá permanecer, na condição de enfermeira da Cruz Vermelha Internacional e, posteriormente, como atriz. Integra-se às companhias de Annibali Nincchi e de Gualtiero Tummiati, onde interpreta textos clássicos e modernos.
Volta ao Brasil em 1946, integrando-se a Os Comediantes, recém-profissionalizados numa remontagem de Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, histórica encenação de Ziembinski, no papel de Mme. Clessy - ao lado de Maria Della Costa e Cacilda Becker; e protagonizando com muito sucesso Desejo, de Eugene O'Neill, em 1947. No ano seguinte, integra o Teatro Popular de Arte, TPA, de Sandro Polloni e Maria Della Costa, participando de A Prostituta Respeitosa, de Jean-Paul Sartre, numa direção de Itália Fausta. Cria uma companhia própria, com Fregolente, levando A Endemoniada, de Karl Schonherr, novamente numa encenação de Ziembinski; e Nina, de André Roussin, em 1950. A partir de então, dedica-se à radionovela, nas organizações Victor Costa.
Em 1953, faz Volta Mocidade, de William Inge, uma direção de Miroel Silveira para o Teatro de Equipe. Em 1955, dirige o grupo do Instituto Cultural Ítalo-Brasileiro, em Os Namorados, de Carlo Goldoni, levando o Prêmio Governador do Estado. Em 1964, integra a montagem de A Noite do Iguana, de Tennessee Williams, com o Teatro Cacilda Becker, TCB.
Em 1977, está em A Dama do Camarote, de Castro Viana e direção de Odavlas Petti.
Numa crítica ao espetáculo Nina, de André Roussin, pela companhia da atriz, o crítico Décio de Almeida Prado declara: "Olga Navarro, ao fazer a protagonista, enfrentava uma tarefa especialmente difícil. (...) [Ela], ao contrário, prima nos papéis fortes, simples e dramáticos. Não havia, portanto, grande afinidade inicial entre a atriz e a personagem. Ainda assim a interpretação de Olga corresponde ao que se espera de uma atriz que está colocada entre as quatro ou cinco primeiras do nosso teatro. Se fosse mais excêntrica, talvez a peça ganhasse em vibração cômica, mas o fato é que a sua Nina está perfeitamente desenhada e é tão verossímil quanto qualquer outra".
