A população negra no mundo constitui um dos maiores e mais diversos conjuntos populacionais do planeta, concentrando-se principalmente na África Subsaariana, mas também formando importantes comunidades nas Américas, no Caribe, na Europa e em outras regiões. O conceito de população negra não é utilizado de maneira uniforme entre os países, pois as classificações raciais e étnicas variam conforme a sociedade. Por isso, os dados internacionais geralmente utilizam também a expressão pessoas de ascendência africana, que engloba tanto populações africanas quanto seus descendentes espalhados pelo mundo. A própria União Africana considera parte da diáspora africana as pessoas de origem africana que vivem fora do continente, independentemente de cidadania ou nacionalidade.
A África concentra a maior parte da população negra mundial, sobretudo nas regiões ocidental, central, oriental e meridional do continente. Países como Nigéria, República Democrática do Congo, Tanzânia, África do Sul, Quênia, Uganda, Gana e Angola possuem grandes populações de origem subsaariana. A África apresenta enorme diversidade linguística, cultural e étnica, portanto não deve ser entendida como uma população homogênea. Existem centenas de grupos étnicos, numerosas famílias linguísticas, diferentes tradições religiosas e variadas formas de organização social. O crescimento demográfico africano também tem aumentado sua participação relativa na população mundial, especialmente devido às taxas de natalidade ainda elevadas em diversos países.
Fora da África, destaca-se a diáspora africana, formada tanto pelos descendentes das populações deslocadas durante o tráfico de escravizados quanto por migrações africanas mais recentes. As Américas possuem algumas das maiores populações afrodescendentes do mundo. No Brasil, nos Estados Unidos e em vários países do Caribe e da América Latina, pessoas de origem africana desempenharam papel fundamental na formação demográfica, econômica e cultural das sociedades. Segundo as Nações Unidas, aproximadamente 200 milhões de pessoas que se identificam como afrodescendentes vivem somente nas Américas, além de muitos milhões distribuídos por outras partes do mundo.
O Brasil possui uma das maiores populações negras e afrodescendentes fora da África. A presença africana foi decisiva para a formação da cultura brasileira, influenciando a música, a culinária, a religião, a língua, as manifestações populares, as artes e diversos aspectos da vida social. No Caribe, países como Haiti, Jamaica e Barbados possuem populações majoritariamente ou predominantemente de ascendência africana. Nos Estados Unidos, a população negra também constitui uma importante parcela da sociedade e teve participação decisiva em movimentos sociais, na política, na ciência, na literatura, na música e na cultura mundial.
A história da população negra está profundamente relacionada à escravidão, ao colonialismo e à diáspora africana. O tráfico transatlântico deslocou milhões de africanos para as Américas, provocando enormes transformações demográficas e culturais. A ONU destaca que os efeitos da escravidão e do colonialismo continuam relacionados a desigualdades e formas de discriminação que afetam populações afrodescendentes em diferentes países.
Apesar desse passado de exploração e discriminação, as populações negras produziram contribuições fundamentais para a humanidade. A influência africana e afrodescendente está presente na música, literatura, filosofia, ciência, esportes, política, religião, gastronomia e nas artes. Atualmente, os descendentes de africanos constituem uma população global extremamente diversificada, unida por diferentes graus de ancestralidade africana, mas separada por histórias nacionais, culturas, línguas e experiências sociais distintas.
Assim, falar sobre a população negra no mundo significa tratar de uma realidade demográfica muito ampla: uma população fortemente concentrada na África, mas com uma extensa presença internacional resultante tanto de movimentos migratórios antigos quanto modernos. A ONU atualmente mantém uma segunda Década Internacional de Pessoas de Ascendência Africana, de 2025 a 2034, orientada pelos princípios de reconhecimento, justiça e desenvolvimento.
