ALCEU AMOROSO LIMA - CRÍTICO LITERÁRIO BRASILEIRO

Alceu Amoroso Lima
Conhecido também como Tristão de Ataíde, pseudônimo que adotou em 1919 ao iniciar-se como crítico em O Jornal, Alceu Amoroso Lima nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 11 de dezembro de 1893. Formou-se em direito (1913) e, após publicar seu primeiro livro, o ensaio biocrítico Afonso Arinos (1922), travou com Jackson de Figueiredo um famoso e fértil debate, do qual decorreu, em 1928, sua conversão ao catolicismo. No mesmo ano lançou Adeus à disponibilidade e outros adeuses, que ficaria como um divisor de águas na sua evolução intelectual.
 
Crítico literário e pensador católico que sempre se envolveu com a política e as questões sociais, Alceu Amoroso Lima partiu de uma posição muito conservadora para chegar ao fim da vida como um intelectual progressista, em luta contra as transgressões à lei e a censura que o regime militar de 1964 iria impor ao Brasil.

Com a morte de Jackson de Figueiredo, Alceu o substituiu na direção do Centro Dom Vital e da revista A Ordem, tornando-se um ativo líder das correntes católicas conservadoras, sobretudo como presidente da Ação Católica (1932-1945). Engajado nas campanhas da igreja, combateu a Aliança Nacional Libertadora (1935), posicionou-se a favor de Franco na guerra civil espanhola (1936) e integrou uma comissão governamental que se propunha a defender a cultura nacional contra o bolchevismo (1937).

Sob a ditadura de Vargas, foi escolhido para substituir Afonso Pena Júnior na reitoria da Universidade do Distrito Federal, onde assumiu também a cátedra de sociologia. A partir de 1941, ensinou literatura brasileira na Faculdade Nacional de Filosofia, da Universidade do Brasil, e na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. Em 1947, começou a escrever para o Diário de Notícias a coluna "Letras universais", que manteve por longos anos e deu-lhe enorme projeção como crítico ao ser transcrita em jornais de várias capitais do país.

Após diversas missões no exterior, entre as quais uma série de conferências na Sorbonne sobre a civilização brasileira, tornou-se em 1958 colaborador regular do Jornal do Brasil e da Folha de São Paulo. Nessa fase, incentivado pelas transformações oriundas, no início da década de 1960, do papado de João XXIII e do Concílio Vaticano II, passou a alinhar-se na ala mais progressista do pensamento católico. Sua forte oposição ao regime militar definiu-se logo após o golpe de março de 1964, quando denunciou pela imprensa a repressão que se abatia sobre a liberdade de pensamento.

Membro da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira no 40, publicou dezenas de livros sobre os temas mais variados, como Problemas da burguesia (1932), Introdução ao direito moderno (1933), Três ensaios sobre Machado de Assis (1941), O existencialismo (1951), A segunda revolução industrial (1961), Memórias improvisadas (1973). Sem nunca renunciar aos seus artigos na imprensa, que contaram sempre com um público dos mais fiéis, Alceu Amoroso Lima morreu em Petrópolis RJ em 14 de agosto de 1983.

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