CASTRO ALVES - POETA BRASILEIRO

Antônio de Castro Alves
Antônio Frederico de Castro Alves nasceu em Muritiva, a sete léguas de Curralinho, hoje Castro Alves (BA), em 14 de março de 1847. Passou a primeira infância em pleno sertão baiano, na fazenda das Cabaceiras, perto de Curralinho. Educando-se em Salvador BA a partir de 1852, começou a aparecer como autor de versos e orador exaltado na Faculdade de Direito do Recife, onde abraçou a causa abolicionista e se mostrou particularmente sensível aos ideais republicanos. Data desse tempo e desse meio sua amizade com Tobias Barreto, que acabaria em polêmica.

Pelo número de edições e o interesse que despertou na crítica e no público, Castro Alves é um dos poetas de maior popularidade do Brasil. Pertencente à terceira geração de românticos, foi o mais genuíno representante brasileiro do condoreirismo, comportamento artístico e poético que, inspirado na poesia grandiloqüente e épica de Victor Hugo, caracterizou a última fase do romantismo brasileiro.

Em 1866 apaixonou-se pela atriz portuguesa Eugênia Câmara, que exerceria importante influência em sua vida. Para ele escreveu seu único texto teatral, Gonzaga ou a revolução de Minas, encenado em Salvador em 1867. No mesmo ano, já atacado pela tuberculose, transferiu-se para a Faculdade de Direito de São Paulo, cujo curso não chegaria a terminar. Numa viagem ao Rio de Janeiro, travou contato com José de Alencar e com Machado de Assis. O reconhecimento de seu valor por ambos, expresso em jornais da época foi um dos estímulos mais gratos que recebeu em sua curta existência.

Consagração na Bahia. O retorno à Bahia, um ano antes de sua morte, garantiu ao poeta uma consagração definitiva, quando publicou Espumas flutuantes (1870), único livro que chegou a ver editado. Todo o restante da obra se achava esparso em manuscritos ou impresso em jornais e revistas. Castro Alves havia começado a organizar o volume de Os escravos, seu projeto mais ambicioso e que permaneceu inconcluso. Foram, porém, sobretudo os poemas dessa obra, entre os quais "O navio negreiro" e "Vozes d,África", que levaram os críticos a apontá-lo como o mais típico integrante da escola condoreira.

As causas sociais e humanitárias, de modo geral, e problemas da escravidão dos negros, em particular, constituíram a fonte principal de seu modo de ser e de fazer poesia. Especialmente impressionável pelos eventos de natureza político-social, pois educou-se num meio de pequena-burguesia embrionária, magnetizada pelas transformações da Europa da segunda metade do século XIX, o poeta engajou-se -- mais retórica do que criticamente -- numa perspectiva histórica que contemplou e interpretou de um ponto de vista de idealismo romântico e emocional.

Nesse sentido, todavia, Castro Alves se distingue sobremodo de seus antecessores brasileiros. O compromisso com o mundo exterior, a extroversão e objetividade de sua arte permitem contrapô-lo, por exemplo, a um Álvares de Azevedo, tão romântico e idealista quanto ele, mas decididamente voltado para dentro, subjetivo, confessional. A matéria-prima de sua linguagem, graças à atenção exteriorizada, ao fascínio ante as causas públicas e de afirmação nacional, receberia também, e de modo pioneiro, influxos maiores e mais vivos do meio-ambiente em que ele cresceu e se fez poeta. A crítica tem apontado o fundo caracteristicamente popular de alguns dos procedimentos mais típicos de sua poesia, em geral de uso consagrado na obra dos cantadores nordestinos.

Assim, quer como artista algo ingênuo e incorrigivelmente juvenil, quer como porta-voz de uma classe média em formação, conseguiu conferir a sua poética um caráter pragmático poucas vezes encontrado nas letras brasileiras. Empenhando-se no rumo da campanha abolicionista -- muito embora com uma visão meramente piedosa da escravidão -- pouco mais do que isso precisaria para arrebatar a admiração de seus contemporâneos, tanto mais suscetíveis de segui-lo e exaltá-lo quanto mais jovens e impacientes.

Os melhores poemas. Apressado como artesão do verso, poeta de tribuna, mais de sonoridades e efeitos declamatórios que de conteúdo e consciência estética, sua inspiração e compulsão para a poesia eram, porém, de tal generosidade, que lhe permitiram produzir algumas das obras de maior força expressiva do romantismo brasileiro. Além dos poemas mencionados, são notáveis "O livro e a América", "Mocidade e morte", "Ahasverus e o gênio" e "O sibarita romano".

São também vigorosos e de real interesse os poemas em que retrata a natureza contemplada, onde comparecem belos flagrantes da paisagem sertaneja, como "O São Francisco", "A queimada", "A tarde" e "Crepúsculo sertanejo", todos de A cachoeira de Paulo Afonso, publicação póstuma de 1876, mais tarde (1920) reunida a Os escravos. Engrandecendo-se nos poemas desse livro como poeta a serviço de uma causa, nele também deixou sua lírica mais feliz, principalmente, "Lucas", "Tirana" e "A canção do violeiro".
Alguns de seus poemas eróticos tiveram grande aceitação de público e de crítica. A receptividade encontrada por sua lírica amorosa, foi quase idêntica à dos poemas épicos. Tal lírica se espalhou pelo Nordeste e em alguns casos chegou a ser absorvida pelo cancioneiro popular, folclorizando-se.

A breve estada em São Paulo e o súbito retorno do poeta à Bahia foram decorrências de um acidente de caça, no qual um tiro lhe feriu o pé. Castro Alves chegou a ser operado, mas seu organismo debilitado pela tuberculose não teve condições para resistir. Aos 24 anos de idade, morreu em Salvador em 6 de julho de 1871.

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