SANTO ANSELMO - TEÓLOGO ITALIANO

Santo Anselmo nasceu na cidade italiana de Aosta, em 1033. De família nobre, fora destinado pelo pai à carreira política, mas escolheu a vida monástica. Recebeu excelente educação e foi considerado um dos melhores latinistas de seu tempo. Em 1060 entrou para o mosteiro beneditino de Sainte-Marie du Bec-Hellouin, na Normandia. Fez votos monásticos em 1061, tornou-se prior em 1063 e abade em 1078, transformando Bec em importante centro de aprendizado monástico. Nesse período escreveu duas de suas obras principais, Monologium e Proslogium.

Teólogo e primeiro dos filósofos escolásticos, santo Anselmo foi um dos mais importantes pensadores entre santo Agostinho e são Tomás de Aquino, tendo proposto a prova ontológica da existência de Deus.

Mediante doações do rei Guilherme I o Conquistador, o mosteiro de Bec recebeu terras na Normandia e na Inglaterra, o que levou Anselmo a visitar esse país por três vezes e a aceitar, em 1093, o chamado de Guilherme II o Ruivo, que o nomeou arcebispo de Canterbury (Cantuária), objetivando reformar a igreja na Inglaterra. Recusou, porém, a consagração enquanto o rei não restituiu as terras de Canterbury e reconheceu o papa Urbano II, então contestado pelo antipapa Clemente III. Consagrado em 1093, pouco depois teve de deixar a Inglaterra, pois o rei voltara atrás e novamente se recusava a reconhecer o papa. Em 1098 retirou-se para Cápua (Itália), onde concluiu Cur Deus homo? (Por que Deus se fez homem?). Com a ascensão de Henrique I, foi chamado de volta à Inglaterra e posteriormente exilado (1103-1106), por não aceitar que o rei consagrasse os prelados. A controvérsia resolveu-se no sínodo de Westminster e Anselmo passou seus dois últimos anos em paz, no cargo.

Anselmo defendia a capacidade da razão humana para investigar os mistérios divinos. Propôs a prova ontológica da existência de Deus: se temos a idéia de um ser perfeito, a perfeição absoluta existe, logo o ser perfeito existe. Esse argumento foi apoiado por Duns Scotus, Descartes, Leibniz e Hegel, mas foi refutado por santo Tomás de Aquino e Kant. Anselmo rejeitava a idéia de que, pelo pecado, o homem contraía uma dívida com o diabo. Essa dívida é contraída com Deus, mas o homem, enquanto tal, não pode oferecer reparação. A essência da redenção acha-se na união do indivíduo com Cristo na eucaristia. E o batismo abre o caminho para essa união.

Canonizado em 1163 e declarado um dos doutores da igreja em 1720, pelo papa Clemente XI, Anselmo morreu em Canterbury em 21 de abril de 1109.

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